quarta-feira, 21 de junho de 2017

«SIRIO»

Paquete da companhia Navigazione Generale Italiana. Foi construído nos estaleiros navais da firma Robert Napier & Sons, de Glásgua (Escócia), que o lançaram à água em 1883. Deslocava 4 141 toneladas e media 129 metros de comprimento por 14 metros de boca. A sua máquina a vapor desenvolvia uma potência de 5 323 cv, que lhe conferiam uma velocidade máxima de 18 nós. Podia receber, oficialmente, uns 1 300 passageiros. Todas estas características faziam deste navio o orgulho da marinha mercante italiana de fins do século XIX  e transição para a centúria seguinte. Foi colocado pelo seu armador na rentável linha da América do Sul, para onde convergiam, nesse tempo, muitos milhares de emigrantes transalpinos, mas também espanhóis e de outras nacionalidades. A rota do «Sirio» começava em Génova (onde o navio estava matriculado) e passava por Barcelona, Cádiz, arquipélagos das Canárias e de Cabo Verde, antes de escalar Rio de Janeiro, Santos e Buenos Aires. Na viagem fatídica de Agosto de 1906, este paquete (que embarcara 620 passageiros na origem e 75 outros na capital da Catalunha) navegava em águas calmas, nada pressagiando que, no dia 4 (por volta das 16 horas), se fosse enfeixar nuns recifes da costa espanhola, existentes nas imediações do cabo de Palos, perto de Cartagena. O navio italiano levou algum tempo a resistir às golfadas que haveriam de o engolir totalmente, o que permitiu a algumas embarcações espanholas navegando naquele lugar do Mediterrâneo ocidental de o abordar e de salvar algumas centenas de náufragos. De referir (entre outras) a intervenção do vapor «Joven  Miguel», ao qual se atribui o resgate de umas 200 pessoas. Mas o essencial dos passageiros (alguns não contabilizados por serem clandestinos) e tripulantes do «Sirio» terminaram ali as suas vidas, Números oficiais do município de Cartagena apontaram para 242 mortos, mas esses números revelaram-se ultrapassados e fontes mais credíveis (embora extraoficiais) referem entre 400 e 500 vítimas. A catástrofe provocou uma verdadeira onda de solidariedade no sul de Espanha, onde a população socorreu os sobreviventes do «Sirio» com víveres e agasalhos, com dinheiro proveniente da receita de espectáculos e até com a oferta de adopção de órfãos. No soçobro do navio morreram algumas celebridades, tais como a cantora de 'zarzuelas' Lola Millajes e o bispo de São Paulo (Brasil). Referentemente a esta última personagem, disse-se que deu a sua bênção a muitos dos que iriam morrer. O grande pintor brasileiro Benedito Calixto até imortalizou essa atitude do bispo numa das suas telas (conservada no Museu de Arte Sacra de São Paulo), a que deu o título «O Naufrágio do Sirio».

quinta-feira, 15 de junho de 2017

«LAGOS»

Navio de transporte de passageiros utilizado na travessia entre o Barreiro e Lisboa-Terreiro do Paço. Pertenceu à famosa série de embarcações do tipo dito 'Viana do Castelo', pelo facto de todas elas (em número de 6) terem sido construídas nos estaleiros navais daquela cidade minhota. Os seus armadores foram, sucessivamente, a CP e, já em fins da sua vida em águas nacionais, a Soflusa. O «Lagos» foi construído em 1970 e, nesse mesmo ano, começou a operar regularmente no estuário do Tejo. Apresentava uma arqueação bruta de um pouco mais de 700 toneladas e media 50 metros de longitude por 9,52 metros de boca. Podia transportar 1 022 passageiros -em condições de tempo normais- distribuídos por três classes distintas. Estava equipado com uma máquina diesel de origem alemã (MAN), que lhe facultava uma velocidade de cruzeiro de 13 nós. O que lhe permitia percorrer o trajecto onde se manteve largos anos (até inícios do século XXI) em 25 minutos. Depois de ter sido retirado do serviço activo e substituído (como os seus congéneres por modernos catamarãs), o «Lagos» esteve algum tempo atracado ao cais da Siderurgia Nacional (no rio Coina), à espera do seu desmantelamento. O que acabou por não acontecer, visto, ter sido adquirido por um armador de São Tomé e Príncipe. Que o denominou «Liliana Carneiro» e o empregou numa linha de transporte de passageiros e frete entre aquela antiga colónia portuguesa e Libreville, no Gabão. No seu historial recente, está registado o facto de ter sido assaltado, em 2010, por piratas nigerianos. Posteriormente resgatado, este antigo navio da frota dos Caminhos-de-Ferro Portugueses continua a navegar e usa, agora, pavilhão da República dos Camarões.

sábado, 3 de junho de 2017

«CAPITÂNIA»

Este navio -uma galé- é geralmente referido na lista de vasos de guerra portugueses que participaram, no seio da malfadada Invencível Armada, no ataque lançado -em meados de 1588- por Filipe II (o nosso Filipe I) contra a Inglaterra isabelina. Sabe-se que foi construído num estaleiro nacional, mas não há (ao que julgamos saber) informação específica sobre a sua tonelagem, dimensões e demais características físicas. Estava armado com 5 canhões e pertenceu, aquando do referido evento, a uma esquadra de galés -da qual terá sido capitânia, daí o nome pelo qual é conhecido- colocada sob as ordens de D. Diego de Medrano. Naufragou, em data incerta do mês de Junho daquele ano de 1588, no golfo de Biscaia, ao largo da cidade francesa de Bayonne. Foi um dos vários navios portugueses do seu tipo -já algo ultrapassado e pouco adaptado à navegação nos mares que circundam as ilhas britânicas- que foram mobilizados contra os 'hereges protestantes' e que, depois da derrota sofrida, deixaram o campo livre para que a Inglaterra passasse a assumir a liderança das nações de vocação marítima. A imagem aqui anexada mostra um navio português do tipo e do tempo da galé «Capitânia».

quarta-feira, 31 de maio de 2017

«CHARLES GOUNOD»

Este veleiro francês -que recebeu o nome de um grande compositor parisiense do século XIX- era uma barca de 3 mastros; que foi lançada à água no ano de 1900 pelos Ateliers et Chantiers de la Loire, de Saint Nazaire. Matriculado em Nantes, apresentava-se como um navio com 2 199 toneladas de arqueação bruta, medindo 85,30 metros de comprimento por 12,30 metros de boca. Pertenceu à frota do armador Norbert & Guillon. A sua celebridade adveio-lhe do facto de se ter cruzado -no dia 21 de Janeiro de 1917- quando o mundo sofria as agruras da Grande Guerra, com o temível corsário alemão «Seeadler» (colocado sob o mando do conde Felix von Luckner, um dos mais notáveis oficiais de marinha do 'kaiser') em pleno oceano Atlântico. O «Charles Gounod» procedia da Austrália (pela rota do cabo Horn) e dirigia-se a Nantes com um carregamento de cereais (milho e trigo). Interceptado pelo 'raider', depois de feroz perseguição, durante a qual o navio germânico se mostrou mais rápido, o veleiro gaulês viu parte da sua carga pilhada pelo inimigo e toda a sua equipagem (24 homens) receber ordem de prisão. A tripulação do navio vencido seria, enquanto o «Gounod» era armadilhado (com cargas explosivas) e afundado, transferida para o «Cambronne» (capturado precedentemente pelos alemães) e, dias mais tarde, desembarcada no porto neutro do Rio de Janeiro; de onde seria posteriormente (em Abril de 1917) repatriada para a Europa.

terça-feira, 23 de maio de 2017

«VIMIERA»


'Destroyer' da armada real britânica. O seu nome lembra (de maneira trapalhona) a batalha de Vimeiro -travada durante a Guerra Peninsular- durante a qual as tropas anglo-portuguesas venceram o exército napoleónico de invasão colocado às ordens de Junot. Este navio foi construído nos estaleiros da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Wallsend; que o lançaram à água em 1917. A sua entrada em serviço quando a Grande Guerra se aproximava do fim, não lhe deu a oportunidade de participar nos combates desse primeiro conflito generalizado. De modo que a sua carreira foi quase sem história (salvando o facto de ter transportado dois plenipotenciários russos para o seu país, depois de terem negociado, em Londres, o Acordo de Comércio Anglo-Soviético) até ao deflagrar da guerra de 1939-1945. Altura em que o «Vimiera» já era um navio algo antiquado. Apesar de, entretanto, ser sofrido trabalhos de modernização e de ter recebido armamento antiaéreo. As suas primeiras acções consistiram na escolta de comboios no mar do Norte (desde 1939) e em operações de apoio à evacuação (em 1940) das tropas aliadas de Dunkerque. Nesta acção, estima-se que tenha resgatado cerca de 2 000 militares, apesar de ter sido seriamente danificado por um ataque da 'Luftwaffe'; que implicou uma passagem pelo estaleiro. Depois de devidamente reparado este 'destroyer' voltou à proteção de comboios e atribui-se-lhe (em 1941) o abate de várias aeronaves hitlerianas; facto que valeu alguns membros da sua guarnição a atribuição de medalhas e outras distinções. Ainda nesse mesmo ano, o «Vimiera» ilustrou-se por ter salvo marinheiros de navios do comboio FS-559, que, na sequência de mais um ataque aéreo do inimigo, encalharam nas praias de Haisborough. Esta valente unidade da 'Royal Navy' (que era da classe 'V' e que usou o lema 'Vitória como antigamente') afundou-se no dia 6 de Janeiro de 1942 no estuário do Tamisa, depois de ter chocado com uma mina. Sofrendo a perda de 93 homens. O «Vimiera» deslocava 1 339 toneladas em plena carga e apresentava as seguintes dimensões : 91,40 metros de comprimento por 8,20 metros de boca por 2,70 metros de calado. a sua maquinaria a vapor (caldeiras e turbinas) desenvolvia uma potência de 27 000 shp, o que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 34 nós. Do seu armamento constavam 4 canhões de 102 mm, peças para tiro AA e 4 tubos lança-torpedos.

«JACQUES»


Este soberbo veleiro -uma barca de 3 mastros e com casco de ferro- foi construído no Havre (França), pelo estaleiro Ehrenberg; que o lançou à água no dia 21 de Janeiro de 1897. A sua carreira começou sob maus auspícios, visto que no dia do seu bota-abaixo o navio se virou sobre um dos cais do acima referido porto, danificando seriamente o mastreame. O «Jacques» era um navio de 1941 toneladas (TAB ou deslocamento ?), medindo 76,80 metros de comprimento por 11,60 metros de boca. Sabe-se que teve, pelo menos, dois armadores franceses e que -já nas mãos da Compagnie Générale des Îles Kerguelen (a operar no arquipélago pré-Antárctico de São Paulo e Amsterdão) este veleiro foi buscar às Falkland, em 1913, um milhar de ovelhas destinadas a serem aclimatadas nas ilhas Kerguelen. Operação que, diga-se de passagem, constituiu um retumbante fracasso. O «Jacques» foi vendido, em 1914, ao armador norueguês A/S Strix, de Sarpsborg, que lhe conferiu o novo nome de «Strix». E, cinco anos passados, em 1919, foi transferido para a frota da A/S Vigor, de Chistiansand, também da Noruega, que lhe acordou o seu derradeiro nome : «Vicomte». Este 'cap-hornier' (nome dado pelos gauleses aos navios aptos a realizar viagens transoceânicas e a afrontar o terrível cabo Horn) ainda navegou até 1924; ano em que, por se encontrar obsoleto, foi enviado para a Alemanha para ali ser desmantelado.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

«LIFLAND»


Cargueiro a vapor construído, em 1921, nos estaleiros Moller A. P., de Odense (Dinamarca). Equipado com 1 máquina Vickers, fabricada no Reino Unido, este navio podia atingir 9,5 nós de velocidade máxima. A sua tripulação era normalmente constituída por 23 homens. O seu armador foi a sociedade A.N. Petersen & E. Hahn-Petersen com escritórios em Copenhague.; que usou o «Lifland» até 1940 e que (nesse mesmo ano e por causa da ocupação nazi da Dinamarca) autorizou a sua transferência para o Ministério da Guerra britânico. Que haveria de utilizar este cargueiro para fins de transporte militar e outros. Não duraria muito tempo em mãos inglesas, já que, por volta das 21 horas do dia 29 de Setembro de 1942, este navio (que navegava com o comboio aliado SC-101) foi interceptado e torpedeado pelo submarino germânico «U-610». O ataque produziu-se a sudoeste do cabo Farewell e não houve sobreviventes. 24 mortos. A ilustração aqui anexada é da autoria do artista R. Mattson e mostra o navio em 1936, quando ainda usava bandeira do seu país de origem.