segunda-feira, 24 de abril de 2017

«EENDRACHT»

Escuna de 3 mastros que arvora bandeira dos Países-Baixos. É o segundo veleiro com este nome (que significa 'Uníssono') a ser usado pela associação Stichting her Zeilend Zeeschip, como navio de formação náutica e treino no mar. Foi construído no estaleiro de Damen, segundo planos do reputado arquitecto naval W. de Vries Lentsch, e lançado à água em 1989. A escuna «Eentracht» (que é conhecida em muitos portos da Europa (sobretudo do norte), mas não só, tem 59 metros de comprimento por 12,30 metros de boca e o seu velame apresenta um superfície de 1 300 m2. A sua tripulação de 13 membros é seleccionada entre 350 voluntários altamente conhecedores do mar, das técnicas de navegação e capazes de transmitir conhecimentos aos 40 passageiros (geralmente jovens) que são admitidos a bordo em regime de aprendizagem. A associação proprietária deste navio, já acima citada, foi fundada em 1938, em vésperas da 2ª Guerra Mundial, mas teve que interromper o seu desígnio durante vários anos por causa desse conflito devastador e da ocupação dos Países-Baixos. No historial do veleiro «Eendracht» regista-se um encalhe junto a Newhaven, na costa sul do Reino Unido, ocorrido em 21 de Outubro de 1998. As 51 pessoas que então se encontravam a bordo foram, todas elas, resgatadas por helicóptero e colocadas em terra sãs e salvas. A escuna seria posteriormente desencalhada e reparada, antes de voltar às suas habituais rotinas.

«KERGUELEN»

Paquete francês construído em 1921 nos estaleiros ingleses da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Newcastle. Este navio, encomendado pela Compagnie de Navigation Sud-Atlantique, de Bordéus, chamou-se primitivamente «Meduana». Foi vendido, após 7 anos de uso (em 1928), ao armador Charcheurs Réunis, que lhe deu o novo nome de «Kerguelen» (em honra de Kerguelen de Trémarec, um ilustre navegador e explorador polar do século XVIII) e que o colocou na sua linha da América do Sul. A 6 de Agosto de 1940 -já com parte da França ocupada pelas tropas hitlerianas- este navio foi apresado pela 'Kriegsmarine' e adaptado ao transporte de tropas, com o intento de ser utilizado na projectada Operação Seelowe, a abortada tentativa de invasão da Grã-Bretanha. Em Novembro de 1941, foi transferido para a companhia Reederei F. Laeisz, com sede em Hamburdo, para uso civil. Foi esse seu novo armador que lhe deu o seu terceiro nome, a saber : «Winrich von Kniprode». Em Janeiro de 1945, a escassos quatro meses da derrota final da Alemanha, o navio em apreço ainda foi transformado em navio-hospital, para serviço na evacuação de combatentes feridos e/ou doentes da frente de leste. Em Março, o antigo «Kerguelen» sofreu danos durante um incidente de guerra e, em Novembro de 1945, já em tempo de paz, foi devolvido aos seus legítimos proprietários, a referida companhia Chargeurs Réunis. Posteriormente, foi afretado pelo governo francês, já com o referido nome de «Kerguelen», (navio com 10 123 toneladas de arqueação bruta e com 148 metros de comprimento por 18 metros de boca) para cumprir uma das suas derradeiras missões : transportar tropas para a Indochina, onde os naturais dessa vasta região do sudoeste asiático se haviam levantado de armas na mão contra o poder colonial de Paris. O navio foi desactivado em 1954 e enviado, em Fevereiro do ano seguinte, para Antuérpia (na Bélgica), onde o estaleiro dos irmãos Van Heyghen  procedeu ao seu desmantelamento.

«SAGE»


Construído no arsenal de Toulon com desenho de Pierre-Blaise Coulomb, este navio pertenceu a uma série de vasos de guerra (compreendendo dezenas de unidades) artilhado com 64 canhões, distribuídos por 2 cobertas. Lançado ao mar em 1751, serviu na marinha real de França durante o período conturbado da chamada Guerra dos Sete Anos. O «Sage» deslocava 1 100 toneladas e media 44,50 metros de comprimento por 12,19 metros de boca. O seu calado era de 5,80 metros. A guarnição dos navios deste tipo andava à volta dos 650 homens. Reputado pela sua robustez (o seu casco era em madeira de carvalho), o «Sage» e seus congéneres também se distinguiam pelas suas excelentes qualidades náuticas. Encontrava-se sob as ordens do capitão Noble du Revest quando, em 1755 se reacendeu a guerra contra a Inglaterra. Participou, no ano seguinte (integrado numa frota de 12 navios de guerra chefiada pelo marquês de La Galissonière), na batalha vitoriosa de Minorca contra a esquadra britânica de John Byng. Confronto do qual este navio francês saiu com sérias avarias causadas pelo fogo inimigo. Em 1757, já sob o comando do capitão Dabon, esteve em águas da América do norte, onde participou na defesa de Louisbourg; que ajudou a salvar da invasão inglesa. Regressou ao Medideterrâneo em finais desse mesmo ano, onde se viu confrontado com uma terrível epidemia de tifo, que matou um número elevado de membros da sua tripulação. Foi riscado das listas da marinha em 1768, presumindo-se que tenha sido, em consequência disso, desmantelado.

sábado, 22 de abril de 2017

«LLANGIBBY CASTLE»

Construído, em 1929, nos estaleiros de Govan (Glásgua) da companhia Garland & Wolff, este paquete navegou até 1954 com as cores da casa armadora britânica Union-Castle Mail Cº, de Londres. Com uma interrupção nos anos de guerra, durante os quais serviu (como tantos outros navios do seu tipo) como transporte de tropas sob a autoridade da 'Royal Navy'. O «Llangibby Castle» apresentava-se como um navio de 11 951 toneladas de arqueação bruta, medindo 148 metros de comprimento por 20,17 metros de boca. O seu sistema propulsivo desenvolvia uma potência de 1 300 nhp, que lhe facultava uma velocidade máxima de 14,5 nós. Durante o seu primeiro período civil, esteve, sobretudo, nas linhas de África. Teve vida atribulada durante o segundo conflito generalizado. Transportou prisioneiros alemães para campos de detenção situados na África oriental e, na noite de 22 de Dezembro de 1940, foi alvo de um bombardeamento da 'Luftwaffe' e danificado quando se encontrava atracado num dos cais de Liverpool. Em 16 de Janeiro de 1946 sofreu nova agressão tudesca, quando navegava no Atlântico norte integrado no comboio WS-15. Desta vez, o ataque foi obra do submarino «U-581», que o atingiu na popa com um dos seus torpedos. O «Llangibby Castle» logrou refugiar-se no porto neutral da Horta (Açores), até onde foi perseguido e atacado por aviões 'Condor' (Fw-200). O ex-paquete inglês ali permaneceu (durante os 14 dias que as convenções internacionais autorizavam) para colmatar os rombos sofridos; que à falta do material adequado foram reparados... com madeira e cimento. Depois da sua saída de águas territoriais portuguesas, o «Llangibby Castle» e a escolta que entretanto apareceu para o proteger foram envolvidos numa série de combates; que resultaram no afundamento do «U-581». Chegado à Grã-Bretanha em inícios de 1943, após uma épica viagem de 3 400 milhas náuticas sem leme e com a popa sumariamente reparada, este navio sofreu ali profundos trabalhos de transformação, de modo a poder transportar uns 1 600 combatentes e 18 lanchas de desembarque. Em vista de futuras operações a efectuar na frente ocidental. Foi assim, já com essas características, que o «Llangibby Castle» pôde participar nas operações decisivas baptizadas Torch e Overlord. Durante esta última (desembarque nas praias da Normandia), calcula-se que o «Llangebby Castle» tenha feito mais de 70 travessias do mar da Mancha e assegurado a transferência de 100 000 combatentes do sul de Inglaterra para portos do continente. No imediato pós-guerra (até fins de 1946), este navio ainda participou no repatriamento de 6 000 tropas de África, Índia e Birmânia para a Europa. Devolvido ao seu legítimo proprietário em Janeiro de 1947, o navio em apreço regressou à sua actividade normal. Por pouco tempo, já que em meados de 1954 foi mandado para a sucata e desmantelado.

«COMORIN»

O paquete «Comorin» pertenceu à companhia de navegação britânica P & O, de Londres. Que o utilizou nas linhas ultramarinas da empresa (Oriente e Austrália, sobretudo) até à sua requisição, em 1939, pela 'Royal Navy'. Que, por imperativos ligados à situação de guerra com a Alemanha nazi, lhe atribuiu o designativo «F 49» e o transformou numa das suas unidades auxiliares armadas. O navio em apreço foi construído nos estaleiros Barclay, Curle and Cº, de Whiteinch (Glásgua) e lançado à água no ano de 1925. Apresentava 15 116 toneladas de arqueação bruta e media 160 metros de comprimento por 21,40 metros de boca. Podia receber a bordo um pouco mais de 300 passageiros, 2/3 dos quais em 1ª classe. Estava equipado com maquinaria a vapor (2 motores de quádrupla expansão) desenvolvendo uma potência global de 2 075 nhp, força que lhe permitia navegar à velocidade de cruzeiro de 16 nós. O «Comorin» teve um fim trágico, já que -no dia 8 de Abril de 1941- afundou ao largo da costa ocidental de África (em águas da Serra Leoa), resultando desse incidente a morte de 20 dos seus tripulantes. As causas do soçobro deste antigo paquete inglês ficaram a dever-se a um incêndio que se declarou a bordo (a 7 de Abril) e que se revelou impossível de extinguir. Houve 455 sobreviventes, que foram salvos por vários navios britânicos que navegavam de conserva com o «Comorin», nomeadamente pelo contratorpedeiro HMS «Lincoln», que, no dia seguinte à catástrofe, recebeu ordens para canhonear a carcaça fumegante do malogrado navio , pelo facto desta representar um real perigo para a navegação naquela zona.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

«CELTIC»

Transatlântico de bandeira britânica, que foi propriedade da companhia White Star Line. Foi construído pelos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast (Irlanda do Norte), que o lançaram à água no dia 4 de Abril de 1901. A arqueação bruta deste paquete era de 20 904 toneladas. Media 214 metros de comprimento por 23 metros de boca. As suas 2 máquinas a vapor de quádrupla expansão (acopladas a 2 hélices) desenvolviam 14 000 ihp e asseguravam ao navio uma velocidade máxima de 16 nós. Aquando da sua inauguração, o «Celtic» podia acolher 2 850 passageiros, incluindo 300 em 1ª classe e 160 em segunda. Foi o primeiro de uma série de navios (quase idênticos) que, na frota do seu armador, foram apelidados 'The Big Four'. O «Celtic» foi colocado na linha Liverpool-Nova Iorque, a mais prestigiosa e mais rentável das carreiras marítimas da época. A eclosão da Grande Guerra impôs a sua mobilização e utilização, pela 'Royal Navy' como navio tropeiro e cruzador-auxiliar. A sua primeira missão bélica ocorreu em Janeiro de 1916, quando levou para o Egpto milhares de soldados para a frente oriental. Outros episódios desse tempo e dignos de menção foram o choque deste navio, em 1917, ao largo da ilha de Man, com uma mina, que causou 17 mortos a bordo e graves avarias ao «Celtic». E, também, em Março do ano seguinte (depois de ter sido reparado no estaleiro de origem) o seu torpedeamento, no mar da Irlanda, pelo submarino alemão «UB-77»; que causou a bordo 6 mortos. Mas, ainda dessa vez, o navio sobreviveu à agressão do inimigo e, de novo, foi reparado. Com o regresso da paz, o paquete foi restaurado e volveu à sua actividade comercial. Perseguido, porém, pela má sorte, o «Celtic» foi -entre 1925 e 1927- protagonista de duas colisões com outros tantos navios. Mas o pior estava ainda para vir e ocorreu em 10 de Dezembro de 1928, na aproximação ao porto de Cobh, na Irlanda. O paquete em questão, que transportava 200 passageiros e um carregamento de cereal, sofreu ali um encalhe, sem possibilidade de resgate. Na sequência deste derradeiro incidente de navegação, houve vários mortos entre os membros da equipagem, que foram vitimados por inalação de fumos tóxicos. O navio acabou por ser desmantelado 'in situ' e, em 1933, nada restava dele... Para alé de recordações, é claro.

«WATSON A. WEST»

Escuna de bandeira norte-americana com casco de madeira e com 4 mastros. Foi construída, em 1901, no estaleiro Cousins & McWhinney -localizado em Aberdeen, no estado norte-americano de Washington- por encomenda da firma Slade & West Lumber Cº, também ela sediada em Aberdeen. A «Watson A. West» era um belo veleiro com 818 toneladas de arqueação bruta, medindo 58,70 metros de comprimento por 12,20 metros de boca. Calado : 4,30 metros. Durante a sua vida activa, de 22 anos, este veleiro conheceu praticamento todos os portos da costa californiana e muitos outros localizados em plagas tão distantes como a Austrália, o Japão, a Insulíndia, o Chile ou a África do Sul; para onde (e de onde) transportou mercadorias e materiais diversos. Navio de grande resistência, provou-o um dia, numa das suas viagens nos mares da Ásia, entre Surabaia e Java, quando, com um carregamento de copra a bordo, foi assaltado por ventos violentos e mar muito agitado. Nesse transe, apesar de ter perdido parte da mastreação e do velame, a escuna «Watson A. West» e a sua intrépida equipagem, conseguiram atingir Uraga, no Japão, onde o navio recebeu reparos. Para além do seu primitivo proprietário (já referido), esta escuna norte-americana navegou com as cores da casa armadora Pacific Freighters Cº, com escrtórios em São Francisco da Califórnia. Foi, pois, ao serviço desta firma e sob o comando do capitão Sorensen, que, a 23 de Fevereiro de 1923, o veleiro em apreço naufragou numa noite de breu e com nevoeiro espesso. A escuna «Watson A. West» navegava então (carregada com madeira serrada) entre Gray's Harbour e o arquipélago de Santa Bárbara (na costa Oeste dos Estados Unidos), quando foi arremessada contra uns perigosos rochedos e se perdeu. A natureza da carga transportada, permitiu à escuna manter-se à superfície por tempo suficiente para que os seus 9 tripulantes pudessem organizar o seu próprio salvamento. Não havendo, assim, perdas de vidas humanas a lamentar.