terça-feira, 23 de maio de 2017

«VIMIERA»


'Destroyer' da armada real britânica. O seu nome lembra (de maneira trapalhona) a batalha de Vimeiro -travada durante a Guerra Peninsular- durante a qual as tropas anglo-portuguesas venceram o exército napoleónico de invasão colocado às ordens de Junot. Este navio foi construído nos estaleiros da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Wallsend; que o lançaram à água em 1917. A sua entrada em serviço quando a Grande Guerra se aproximava do fim, não lhe deu a oportunidade de participar nos combates desse primeiro conflito generalizado. De modo que a sua carreira foi quase sem história (salvando o facto de ter transportado dois plenipotenciários russos para o seu país, depois de terem negociado, em Londres, o Acordo de Comércio Anglo-Soviético) até ao deflagrar da guerra de 1939-1945. Altura em que o «Vimiera» já era um navio algo antiquado. Apesar de, entretanto, ser sofrido trabalhos de modernização e de ter recebido armamento antiaéreo. As suas primeiras acções consistiram na escolta de comboios no mar do Norte (desde 1939) e em operações de apoio à evacuação (em 1940) das tropas aliadas de Dunkerque. Nesta acção, estima-se que tenha resgatado cerca de 2 000 militares, apesar de ter sido seriamente danificado por um ataque da 'Luftwaffe'; que implicou uma passagem pelo estaleiro. Depois de devidamente reparado este 'destroyer' voltou à proteção de comboios e atribui-se-lhe (em 1941) o abate de várias aeronaves hitlerianas; facto que valeu alguns membros da sua guarnição a atribuição de medalhas e outras distinções. Ainda nesse mesmo ano, o «Vimiera» ilustrou-se por ter salvo marinheiros de navios do comboio FS-559, que, na sequência de mais um ataque aéreo do inimigo, encalharam nas praias de Haisborough. Esta valente unidade da 'Royal Navy' (que era da classe 'V' e que usou o lema 'Vitória como antigamente') afundou-se no dia 6 de Janeiro de 1942 no estuário do Tamisa, depois de ter chocado com uma mina. Sofrendo a perda de 93 homens. O «Vimiera» deslocava 1 339 toneladas em plena carga e apresentava as seguintes dimensões : 91,40 metros de comprimento por 8,20 metros de boca por 2,70 metros de calado. a sua maquinaria a vapor (caldeiras e turbinas) desenvolvia uma potência de 27 000 shp, o que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 34 nós. Do seu armamento constavam 4 canhões de 102 mm, peças para tiro AA e 4 tubos lança-torpedos.

«JACQUES»


Este soberbo veleiro -uma barca de 3 mastros e com casco de ferro- foi construído no Havre (França), pelo estaleiro Ehrenberg; que o lançou à água no dia 21 de Janeiro de 1897. A sua carreira começou sob maus auspícios, visto que no dia do seu bota-abaixo o navio se virou sobre um dos cais do acima referido porto, danificando seriamente o mastreame. O «Jacques» era um navio de 1941 toneladas (TAB ou deslocamento ?), medindo 76,80 metros de comprimento por 11,60 metros de boca. Sabe-se que teve, pelo menos, dois armadores franceses e que -já nas mãos da Compagnie Générale des Îles Kerguelen (a operar no arquipélago pré-Antárctico de São Paulo e Amsterdão) este veleiro foi buscar às Falkland, em 1913, um milhar de ovelhas destinadas a serem aclimatadas nas ilhas Kerguelen. Operação que, diga-se de passagem, constituiu um retumbante fracasso. O «Jacques» foi vendido, em 1914, ao armador norueguês A/S Strix, de Sarpsborg, que lhe conferiu o novo nome de «Strix». E, cinco anos passados, em 1919, foi transferido para a frota da A/S Vigor, de Chistiansand, também da Noruega, que lhe acordou o seu derradeiro nome : «Vicomte». Este 'cap-hornier' (nome dado pelos gauleses aos navios aptos a realizar viagens transoceânicas e a afrontar o terrível cabo Horn) ainda navegou até 1924; ano em que, por se encontrar obsoleto, foi enviado para a Alemanha para ali ser desmantelado.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

«LIFLAND»


Cargueiro a vapor construído, em 1921, nos estaleiros Moller A. P., de Odense (Dinamarca). Equipado com 1 máquina Vickers, fabricada no Reino Unido, este navio podia atingir 9,5 nós de velocidade máxima. A sua tripulação era normalmente constituída por 23 homens. O seu armador foi a sociedade A.N. Petersen & E. Hahn-Petersen com escritórios em Copenhague.; que usou o «Lifland» até 1940 e que (nesse mesmo ano e por causa da ocupação nazi da Dinamarca) autorizou a sua transferência para o Ministério da Guerra britânico. Que haveria de utilizar este cargueiro para fins de transporte militar e outros. Não duraria muito tempo em mãos inglesas, já que, por volta das 21 horas do dia 29 de Setembro de 1942, este navio (que navegava com o comboio aliado SC-101) foi interceptado e torpedeado pelo submarino germânico «U-610». O ataque produziu-se a sudoeste do cabo Farewell e não houve sobreviventes. 24 mortos. A ilustração aqui anexada é da autoria do artista R. Mattson e mostra o navio em 1936, quando ainda usava bandeira do seu país de origem.

«CHARLESVILLE»


Paquete que desfraldou, inicialmente, bandeira da Bélgica. Foi construído em Hoboken (arrabaldes de Antuérpia) pelos estaleiros navais de John Cockerill. Serviu durante uma dezena de anos na linha Amtuérpia-Matadi (no antigo Congo Belga). O «Charlesville» era um navio com 10 901 toneladas de arqueação bruta, que media 153,66 metros de longitude por 19,60 metros de boca.  A sua propulsão era assegurada por máquinas diesel, que desenvolviam 7 200 cv; força que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 16 nós. A sua tripulação comportava 140 elementos, inteiramente colocados ao serviço dos 248 passageiros que o «Charlesville» podia acolher nos confortáveis camarotes de bordo. Não era raro que este paquete da Compagnie Maritime Belge (pertencente a uma classe que compreendia, igualmente, os navios «Elisabethville», «Léopoldville», «Baudoinville» e «Albertville») prolongasse o seu itinerário até ao porto angolano do Lobito, transportando, frequentemente, passageiros portugueses. Este paquete manteve-se na linha de África até 1960, quer dizer até meia dúzia de anos depois da independência do Congo; só sendo retirado do serviço devido à concorrência do transporte aéreo. Em Julho de 1967 foi adquirido por uma empresa estatal da extinta R. D. A. -a VEB Deutsche Seereederei, de Rostock- e colocado numa linha que ligava a chamada Alemanha de Leste a Cuba, ao México e às Antilhas (Baamas, Bermucas, Jamaica). Para além do frete e dos passageiros que então  transportava, o rebaptizado «Georg Bücchner» também formou, nesse tempo, 150 aprendizes de diferentes profissões ligadas à navegação. Em 1977, este navio foi imobilizado no referido porto de Rostock, onde funcionou, sucessivamente, instituto profissional, lugar de exposições marítimas, centro de emprego, navio-hotel, etc.. Posteriormente desactivado, o ex-paquete foi alvo das atenções de um grupo de nostálgicos de antigos navios (sedeado na Bélgica), que solicitou as autoridades do seu país para que o comprasse, visto haver abertura por parte dos seus proprietários de então. Mas o negócio nunca foi fechado e o navio foi enviado para um estaleiro de Klaipeda, na Lituânia, que se responsabilizou pelo seu desmantelamento. Puxado por dois rebocadores polacos, o antigo «Charlesville» nunca chegou, porém, ao seu destino, por se ter afundado no Báltico na noite de 30 para 31 de Maio de 2013. A sua carcaça repousa não muito longe do farol de Rozewska, situado ao norte do porto de Gdynia.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

«DUNKERQUE»

Esta belíssima barca francesa de 4 mastros foi construída, no ano de 1896, em Rouen, nos estaleiros da firma Laporte & Cie.. Pertenceu à poderosa casa armadora A. D. Bordes e foi substituir na respectiva frota um navio de mesmo nome; que, em Junho de 1891, se perdeu em circunstâncias algo misteriosa no oceano Atlântico, quando navegava de Cardiff para o Rio de Janeiro. Este veleiro foi realizado no quadro de um programa promovido pelo governo de Paris, que, nas duas últimas décadas do século XIX, ofereceu uma subvenção de 65 francos por tonelada aos proprietários de navios que aceitassem construí-los em aço. O «Dunkerque» (assim baptizado em honra de uma importante cidade portuária da Flandres) foi especialmente concebido para o comércio de nitratos com o Chile. E, até 1924, ano em que foi retirado de serviço e enviado para a sucata (foi desmantelado em Itália), manteve-se praticamente sempre ligado aos portos desse país sul-americano (Valparaiso e Iquique) através de uma rota que passava pelo perigoso cabo Horn. No seu historial é justo mencionar o facto de, em 19 Abril de 1906, este elegante veleiro ter prestado socorro aos poucos sobreviventes do navio-escola belga «Comte de Smet de Naeyer», que se afundou tragicamente no golfo da Biscaia. O «Dunkerque» de que falamos usava os serviços de uma centena de tripulantes. Deslocava 3 338 toneladas e media 99,85 metros de comprimento por 13,85 metros de boca.

«INDUSTRY»

Vapor de rodas laterais construído, em 1911, na Austrália. Operou, essencialmente, no rio Murray, (Austrália meridional) onde desempenhou tarefas polivalentes : como transporte (eventual) de passageiros e carga, como draga, como oficina móvel, etc. Era uma embarcação de 91 toneladas, que media 34 metros de comprimento por 5,60 metros de boca. O «Industry» era uma plataforma de fraco calado, o que lhe permitia aceder a zonas de profundidade limitada. onde a sua acção permitia manter canais limpos e abertos à navegação local. Este barco estava equipado com 1 máquina de 30 cv. A sua tripulação raramente ultrapassou os 4 homens. O «Industry» teve vida activa até 1969, ano em que foi retirado do serviço, após mais de meio século de útil trabalho. Posteriormente foi restaurado, para ser exposto -em Renmark- à admiração dos turistas.  Agora voltou a navegar e não é raro vê-lo a transportar, nas águas calmas do Murray, os nostálgicos da navegação fluvial e de barcos históricos. Nos anos 90 do passado século, o «Industry» serviu de palco a algumas cenas da série de televisão (produzida pela ABC) intitulada «The River King». A imagem aqui apresentada mostra o vapor em apreço na sua derradeira função, ao serviço da actividade turística.

«IRIS»


O «Iris» foi um veleiro francês do canal da Mancha, que actuou -em operações de contrabando com o sul de Inglaterra- no primeiro quartel do século XIX. Caracterizava-se pela velocidade proporcionada pelo seu aparelho, que era constituído por 2 mastros e por outras tantas velas 'terciadas'. Que eram panos trapezoidais na sua forma e de grandes dimensões em relação ao tamanho da embarcação que as usava. Esse velame conferia ao «Iris» uma velocidade tal, que lhe permitia (quase sempre) distanciar as embarcações da polícia aduaneira que, com frequência, lhes moviam perseguições. Segundo a nomenclatura francesa, estes veleiros eram chamados 'lugres', mas que, como é óbvio, nada têm a ver com os bacalhoeiros também assim designados que os portugueses mandariam posteriormente aos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. O «Iris» (cuja tonelagem se desconhece) media 18,30 metros de comprimento por 1,70 metro de boca. No seu bojo (tinha casco em madeira) existiam vários esconderijos onde os contrabandistas (geralmente 4 ou 5 homens por cada barco deste tipo ) dissimulavam as mercadorias ilegais que transportavam. Apesar das suas espectaculares fugas diante das embarcações dos serviços fiscais, este veleiro acabou por ser capturado -em Dezembro de 1819- ao largo de Boulogne-sur-Mer. Calcula-se que, naquela época e só no sul de Inglaterra, tenha havido mais de 20 000 pessoas a viver do contrabando alimentado pelos franceses. O que resultava em prejuízos económicos relevantes para o país de Sua Majestade. Nota : o veleiro aqui representado não corresponde ao «Iris», mas a uma anónima embarcação da sua época e do seu tempo.